Brusque e o vazio político: quanto custa não ter um deputado estadual?

Por Fábio Roberto de Souza

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A cidade de Brusque, com cerca de 155 mil habitantes e consolidada entre as principais economias de Santa Catarina, vive um paradoxo que precisa entrar no centro do debate público: cresce economicamente, mas segue sem representatividade direta no parlamento estadual.

À medida que as eleições de 2026 se aproximam, especialistas e lideranças locais levantam uma questão cada vez mais evidente: quanto Brusque perde, na prática, por não ter um deputado estadual?

Recursos que não chegam

Deputados estaduais possuem a prerrogativa de indicar emendas ao orçamento do Estado, direcionando recursos para suas bases eleitorais.

Sem um representante direto:

  • Brusque disputa verbas com 294 municípios catarinenses
  • perde prioridade na alocação de recursos
  • depende de articulações indiretas

Com um deputado próprio:

  • a cidade passa a ter acesso recorrente a investimentos
  • áreas como saúde, educação e infraestrutura ganham força

Na prática, essa ausência pode representar, ao longo de um mandato, dezenas de milhões de reais que deixam de chegar ao município.

Obras mais lentas, demandas esquecidas

A influência política também impacta diretamente o ritmo das obras públicas.

Sem representação:

  • projetos enfrentam mais entraves
  • demandas locais perdem espaço

Com representação:

  • há pressão institucional junto ao governo
  • obras ganham prioridade
  • decisões são aceleradas

O exemplo dos anos 1990: crescimento com representação

A história recente de Brusque oferece um elemento concreto para essa análise.

Durante a década de 1990, período em que o município contou com representantes no legislativo estadual e também no cenário nacional, a cidade experimentou saltos expressivos de desenvolvimento.

Esse período foi marcado por:

  • expansão significativa da indústria têxtil
  • fortalecimento do comércio regional
  • melhorias estruturais em mobilidade e urbanização
  • ampliação de serviços públicos essenciais, em especial na educação e segurança pública.

Não se trata de atribuir o crescimento exclusivamente à presença política, mas é inegável que: a articulação institucional contribuiu para destravar investimentos e acelerar decisões estratégicas

A presença de representantes permitiu:

  • acesso mais direto a recursos
  • interlocução constante com governos
  • inserção de Brusque em pautas prioritárias

Economia forte, voz limitada

Apesar de sua relevância econômica, Brusque hoje enfrenta um descompasso entre sua força produtiva e sua influência política.

Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, onde são definidas políticas públicas e distribuição de recursos, a ausência de um representante direto limita:

  • a defesa de interesses locais
  • a criação de políticas voltadas ao setor produtivo
  • a capacidade de reação diante de decisões estratégicas

UMA PAUTA DE TODOS: Papel das entidades - cobrar e construir

Outro ponto central — e muitas vezes negligenciado — é o papel das entidades representativas locais.

Associações empresariais, sindicatos, câmaras de dirigentes, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias não podem limitar sua atuação à cobrança.

É dever dessas instituições:

  • abraçar a pauta da representatividade política
  • estimular a formação de lideranças locais
  • fomentar debates qualificados sobre o futuro da cidade
  • ajudar a construir caminhos viáveis para eleger representantes comprometidos com Brusque

Mais do que pressionar o poder público, essas entidades precisam atuar como protagonistas na construção de soluções, criando ambiente político, institucional e social favorável ao fortalecimento da cidade.

Se precisar, intervir para a convergência de interesses comuns, chamando a reflexão as forças políticas, para que concensos se estabeleçam e desejos pessoais, bem como egos, sejam suprimidos.

Sem esse engajamento coletivo, o risco é a continuidade de um ciclo de baixa influência e perda de oportunidades.

De que adianta ter inúmeros candidatos, apenas visando projeção para próximas eleições municipais, se ano após ano a cidade perde em influência na busca de verbas para suprir necessidades que com recursos próprios são impossíveis de alcançar?

Impactos diretos na vida da população

A cidade de Brusque não se mantem apenas com seus próprios recursos arrecadatórios. Verbas estaduais e da união são absolutamente necessárias. A falta de representatividade reflete-se no cotidiano da cidade:

  • infraestrutura que demora mais para avançar
  • serviços públicos pressionados
  • menor capacidade de atrair investimentos
  • perda de competitividade regional

Enquanto municípios com representação estruturada avançam com mais rapidez, Brusque enfrenta um cenário de dependência política.

Um debate que precisa chegar às famílias

A discussão sobre representatividade não pode ficar restrita ao meio político. Todos que na cidade vivem tem responsabilidade com relação a qualidade e condição de vida do município. Afinal, vivemos aqui.

Ela precisa estar presente nas casas, nas empresas e nas comunidades, pois impacta diretamente:

  • o futuro econômico
  • a qualidade de vida
  • as oportunidades das próximas gerações

Brusque reúne força econômica, histórico de crescimento e relevância regional. A experiência dos anos 1990 mostra que, quando há representatividade, os avanços tendem a ser mais rápidos e consistentes.

Mas há um elemento adicional que precisa ser assumido com responsabilidade: a construção dessa representatividade não é apenas tarefa do eleitor — é também das instituições que moldam a vida econômica e social da cidade.

Às vésperas de 2026, a reflexão é inevitável: Brusque seguirá sem voz direta nos centros de decisão ou organizará, de forma coletiva, o caminho para retomar o protagonismo político compatível com sua grandeza?

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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas


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