A cidade de Brusque, com cerca de 155 mil habitantes e consolidada entre as principais economias de Santa Catarina, vive um paradoxo que precisa entrar no centro do debate público: cresce economicamente, mas segue sem representatividade direta no parlamento estadual.
À medida que as eleições de 2026 se aproximam, especialistas e lideranças locais levantam uma questão cada vez mais evidente: quanto Brusque perde, na prática, por não ter um deputado estadual?
Deputados estaduais possuem a prerrogativa de indicar emendas ao orçamento do Estado, direcionando recursos para suas bases eleitorais.
Sem um representante direto:
Com um deputado próprio:
Na prática, essa ausência pode representar, ao longo de um mandato, dezenas de milhões de reais que deixam de chegar ao município.
A influência política também impacta diretamente o ritmo das obras públicas.
Sem representação:
Com representação:
A história recente de Brusque oferece um elemento concreto para essa análise.
Durante a década de 1990, período em que o município contou com representantes no legislativo estadual e também no cenário nacional, a cidade experimentou saltos expressivos de desenvolvimento.
Esse período foi marcado por:
Não se trata de atribuir o crescimento exclusivamente à presença política, mas é inegável que: a articulação institucional contribuiu para destravar investimentos e acelerar decisões estratégicas
A presença de representantes permitiu:
Apesar de sua relevância econômica, Brusque hoje enfrenta um descompasso entre sua força produtiva e sua influência política.
Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, onde são definidas políticas públicas e distribuição de recursos, a ausência de um representante direto limita:
Outro ponto central — e muitas vezes negligenciado — é o papel das entidades representativas locais.
Associações empresariais, sindicatos, câmaras de dirigentes, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias não podem limitar sua atuação à cobrança.
É dever dessas instituições:
Mais do que pressionar o poder público, essas entidades precisam atuar como protagonistas na construção de soluções, criando ambiente político, institucional e social favorável ao fortalecimento da cidade.
Se precisar, intervir para a convergência de interesses comuns, chamando a reflexão as forças políticas, para que concensos se estabeleçam e desejos pessoais, bem como egos, sejam suprimidos.
Sem esse engajamento coletivo, o risco é a continuidade de um ciclo de baixa influência e perda de oportunidades.
De que adianta ter inúmeros candidatos, apenas visando projeção para próximas eleições municipais, se ano após ano a cidade perde em influência na busca de verbas para suprir necessidades que com recursos próprios são impossíveis de alcançar?
A cidade de Brusque não se mantem apenas com seus próprios recursos arrecadatórios. Verbas estaduais e da união são absolutamente necessárias. A falta de representatividade reflete-se no cotidiano da cidade:
Enquanto municípios com representação estruturada avançam com mais rapidez, Brusque enfrenta um cenário de dependência política.
A discussão sobre representatividade não pode ficar restrita ao meio político. Todos que na cidade vivem tem responsabilidade com relação a qualidade e condição de vida do município. Afinal, vivemos aqui.
Ela precisa estar presente nas casas, nas empresas e nas comunidades, pois impacta diretamente:
Brusque reúne força econômica, histórico de crescimento e relevância regional. A experiência dos anos 1990 mostra que, quando há representatividade, os avanços tendem a ser mais rápidos e consistentes.
Mas há um elemento adicional que precisa ser assumido com responsabilidade: a construção dessa representatividade não é apenas tarefa do eleitor — é também das instituições que moldam a vida econômica e social da cidade.
Às vésperas de 2026, a reflexão é inevitável: Brusque seguirá sem voz direta nos centros de decisão ou organizará, de forma coletiva, o caminho para retomar o protagonismo político compatível com sua grandeza?
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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas