Quando empreender virou crime ideológico no Brasil

A Redação

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O Brasil parece viver uma perigosa inversão de valores. Enquanto facções criminosas expandem território, o tráfico domina comunidades, o patrimônio público é destruído diariamente e bilhões desaparecem em esquemas de corrupção quase sempre impunes, parte da máquina estatal parece dedicar energia crescente à perseguição simbólica contra empresários que ousam defender patriotismo, liberdade econômica e orgulho nacional.

A mais recente demonstração desse cenário surreal envolve o empresário Luciano Hang e a rede varejista Havan. A empresa foi alvo de notificação do Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul pelo uso da bandeira do Brasil estampada em suas sacolas. Sim, em pleno 2026, um dos maiores grupos varejistas do país precisa mobilizar departamento jurídico para explicar às autoridades por que utiliza a bandeira nacional em material institucional.

A pergunta inevitável é: em que momento o amor ao próprio país passou a ser tratado como suspeita ideológica?

A cena beira o absurdo. Em qualquer democracia madura do mundo, símbolos nacionais representam união, pertencimento e identidade coletiva. Nos Estados Unidos, a bandeira está presente em escolas, quintais, lojas, roupas, campanhas publicitárias e eventos esportivos. É símbolo de orgulho nacional. No Brasil, entretanto, determinados setores políticos parecem ter desenvolvido verdadeira aversão ao verde e amarelo, como se a bandeira tivesse deixado de representar o povo brasileiro para se transformar em “propriedade” ideológica de grupos específicos.

E o mais grave: isso não acontece isoladamente.

A própria Havan já foi vítima, nos últimos anos, de episódios criminosos extremamente graves, incluindo ataques contra patrimônio privado, incêndios criminosos e depredações de estátuas da Liberdade instaladas em suas lojas — atos que ultrapassam o mero vandalismo e se aproximam claramente de ações de intimidação política e terrorismo ideológico. Em vez de solidariedade ampla e defesa incondicional do direito à livre iniciativa, muitos preferiram o silêncio conveniente ou até mesmo a relativização dos ataques.

E não se está falando de uma pequena operação comercial sem relevância econômica. A Havan tornou-se uma das maiores redes varejistas do país, responsável atualmente pela geração de aproximadamente 25 mil empregos diretos distribuídos em 24 estados da Federação. São milhares de famílias que dependem diariamente da atividade econômica da empresa, da circulação de renda, dos investimentos privados, da arrecadação de tributos e da manutenção de uma gigantesca cadeia produtiva que movimenta fornecedores, transportadoras, prestadores de serviço e economias locais inteiras.

Ainda assim, em vez de reconhecimento institucional pela capacidade de empreender, investir e gerar oportunidades em um país historicamente hostil ao setor produtivo, o que frequentemente se vê é a tentativa permanente de constrangimento político e ideológico.

A mensagem transmitida é perigosa: empresários que possuem posicionamento político, defendem valores conservadores ou manifestam patriotismo passam a ser tratados não como geradores de empregos e riqueza, mas como inimigos públicos a serem constrangidos.

E aqui reside um dos maiores riscos institucionais para qualquer democracia: quando órgãos públicos começam a ser utilizados — ainda que seletivamente — para constranger adversários ideológicos, instala-se um ambiente de insegurança jurídica incompatível com um país que pretende crescer, atrair investimentos e gerar empregos.

Luciano Hang pode ser uma figura controversa para alguns. Isso faz parte da democracia. O que não pode se tornar “normal” é o uso do aparato estatal para transformar preferências políticas em instrumentos de perseguição indireta.

Empresários brasileiros já enfrentam carga tributária sufocante, burocracia insana, insegurança regulatória, judicialização excessiva, dificuldades logísticas e um ambiente econômico frequentemente hostil. Agora, parece que também precisam pedir autorização informal para demonstrar amor ao próprio país.

Enquanto isso, criminosos reais seguem ocupando espaços, aterrorizando cidades e destruindo vidas sem receber nem perto da mesma velocidade de mobilização institucional.

No fim das contas, a pergunta deixada ao brasileiro comum é simples: qual exatamente é o problema em utilizar a bandeira do Brasil?

Talvez, para alguns setores, o verdadeiro incômodo nunca tenha sido a sacola. O problema sempre foi quem a carregava.


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