O debate sobre os impactos do fenômeno El Niño ganhou um novo capítulo após a ampla repercussão de um vídeo publicado pelo meteorologista catarinense Piter Scheuer.
No conteúdo divulgado em suas redes sociais, o profissional demonstrou preocupação com a intensidade dos sinais observados no Oceano Pacífico, apontando um cenário que, segundo análises climáticas atuais, pode evoluir para um dos episódios mais severos das últimas décadas.
A gravação rapidamente viralizou, ampliando o debate público, mas também desencadeando críticas contundentes ao meteorologista, acusado por alguns setores de alarmismo e exagero na divulgação dos alertas. Diante da repercussão, Scheuer voltou às redes sociais para reafirmar seu posicionamento e defender a importância da prevenção.
“Pode me criticar. A minha parte eu fiz”, declarou o meteorologista, acrescentando que não pretende se omitir diante dos riscos apontados pelos modelos climáticos internacionais.
A controvérsia ganhou força especialmente após o primeiro vídeo, no qual Scheuer alertou para a possibilidade de o El Niño em formação favorecer eventos climáticos severos no Sul do Brasil, sobretudo a partir da primavera de 2026. Entre os fenômenos mencionados estão enchentes, deslizamentos de terra, temporais extremos e até a possibilidade de tornados em determinadas regiões.
Na avaliação do especialista, o monitoramento precisa ser tratado com máxima seriedade desde já, justamente para permitir planejamento antecipado por parte do poder público e da Defesa Civil.
Os dados técnicos ajudam a contextualizar a preocupação. Informações da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), somadas às análises da MetSul Meteorologia, indicam um aquecimento expressivo das águas do Pacífico Equatorial, inclusive em camadas profundas do oceano.
Em determinadas áreas submersas, entre 100 e 250 metros de profundidade, as temperaturas chegam a registrar até 8°C acima da média histórica. Esse acúmulo anormal de energia térmica, associado às chamadas ondas Kelvin, figura entre os principais indicativos da formação de um evento de forte intensidade ainda em 2026.
Nesse contexto, a manifestação de Scheuer reflete um debate existente dentro da própria meteorologia. Enquanto parte dos especialistas defende cautela na comunicação para evitar pânico desnecessário, outros sustentam que alertas antecipados são fundamentais para reduzir danos humanos, sociais e econômicos.
Scheuer afirma que sua postura está voltada exclusivamente à prevenção e sustenta ter cumprido sua responsabilidade profissional ao chamar atenção para um cenário potencialmente preocupante.
Segundo o meteorologista, os alertas já começaram a produzir efeitos práticos, estimulando autoridades e gestores públicos a iniciarem ações preventivas, como dragagem, limpeza de rios e desassoreamento de canais, medidas consideradas essenciais para minimizar impactos futuros.
Em Brusque, a preocupação já chegou ao Legislativo municipal. Na sessão da Câmara realizada na terça-feira, 5 de maio, vereadores aprovaram requerimento de autoria do vereador Rick Zanata solicitando estudos e adoção de medidas preventivas voltadas à mitigação de alagamentos e enchentes, especialmente diante dos possíveis impactos associados a eventos climáticos extremos.
O parlamentar destacou a necessidade urgente de desassoreamento de rios e riachos, priorizando áreas historicamente atingidas por enchentes, com o objetivo de ampliar a capacidade de vazão e reduzir riscos à população.
Além disso, o requerimento solicita:
“Pedimos que o Executivo olhe com mais atenção para ruas localizadas em áreas de risco de alagamento em todos os bairros da cidade, realizando serviços preventivos para evitar que, futuramente, a população volte a sofrer com água dentro de suas casas”, destacou Rick Zanata.
O vereador Valdir Hinselmann também solicitou atenção especial à região da ponte Alois Petermann, no bairro Dom Joaquim. Segundo ele, há preocupação com possíveis cheias atingindo vias como a Carlos Hort e a DJ-050 em caso de chuvas intensas.
“A preocupação é que a comunidade do Dom Joaquim não volte a sofrer como em episódios anteriores. Temos escola, hospital, UBS, igreja e dezenas de residências que podem ser atingidas. A comunidade cobra providências imediatas de desassoreamento para evitar novos impactos”, afirmou.
Durante a mesma sessão legislativa, foi aprovado ainda pedido de informação apresentado pelo presidente da Câmara, Jean Dalmolin, solicitando esclarecimentos sobre o início das obras de alargamento e desassoreamento do Ribeirão Limeira, no trecho da Rua Alberto Muller.
Independentemente das divergências sobre a forma como os alertas são comunicados, o debate evidencia um ponto central: profissionais experientes e com trajetória consolidada na meteorologia dificilmente levantariam preocupações dessa magnitude sem fundamentos técnicos relevantes.
O objetivo explícito dos alertas, segundo defensores dessa linha preventiva, não é gerar pânico, mas estimular municípios, órgãos públicos e comunidades a iniciarem desde já ações concretas de preparação, reduzindo riscos e preservando vidas diante de um cenário climático que pode se tornar extremamente desafiador nos próximos meses.