O cerco judicial contra Bolsonaros e a escalada sem limites de Alexandre de Moraes

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O Brasil assiste, perplexo, a uma transformação perigosa do cenário institucional: a substituição do debate político pelo controle judicial seletivo, concentrado nas mãos de um único homem — Alexandre de Moraes.

A cada semana, novas medidas, novos inquéritos, novas decisões monocráticas e novos alvos orbitam o mesmo núcleo político: a família Bolsonaro. Coincidência? Difícil acreditar.

Agora, Moraes determina que a PGR avalie incluir Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em mais uma investigação ligada ao deputado Eduardo Bolsonaro, em um movimento que muitos enxergam como parte de uma operação contínua de desgaste político visando as eleições de 2026.

O problema já não é apenas jurídico. Tornou-se político, institucional e democrático.

No Brasil atual, opositores são investigados em série, parlamentares têm redes sociais bloqueadas, jornalistas são intimidados, empresários sofrem devassas financeiras e adversários do sistema parecem viver permanentemente sob ameaça judicial. Enquanto isso, figuras alinhadas ao establishment seguem blindadas, mesmo diante de escândalos monumentais.

A impressão transmitida à população é devastadora: existe um lado da política que pode tudo e outro que deve ser eliminado antes mesmo de chegar às urnas.

E é justamente aí que reside o maior perigo.

Quando um magistrado passa a ocupar simultaneamente os papéis de investigador, acusador, vítima, censor e julgador, a democracia deixa de operar em equilíbrio. O sistema perde freios. O poder perde limites.

A insistência em associar qualquer movimentação política de Bolsonaro, seus aliados, familiares ou apoiadores a “trama golpista”, “organização criminosa” ou “ataque à democracia” parece cada vez mais menos uma busca por justiça e mais uma construção narrativa permanente para inviabilização política.

O recado transmitido ao país é claro: Bolsonaro não deve apenas ser derrotado politicamente — deve ser impedido de existir eleitoralmente.

E isso é gravíssimo.

Porque democracias reais não eliminam adversários no tapetão judicial. Democracias verdadeiras enfrentam adversários nas urnas.

Ao transformar investigações em espetáculo político contínuo, o Judiciário brasileiro corre o risco de destruir exatamente aquilo que afirma defender: a credibilidade institucional.

O mais assustador é perceber que parte significativa da sociedade já naturalizou o absurdo. Busca e apreensão virou rotina. Censura virou “moderação”. Perseguição virou “defesa da democracia”. Excesso virou normalidade.

E toda vez que alguém ousa questionar, imediatamente recebe um rótulo: extremista, golpista, inimigo das instituições.

A História mostra que nenhum poder sem limites termina bem.

Nenhum.


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