Dos R$ 129 milhões aos outros R$ 50 milhões: o Brasil cansou de explicações que não explicam nada

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Primeiro foram R$ 129 milhões.

Agora surgem outros R$ 50 milhões.

E mais uma vez a população brasileira é convidada a acreditar que estamos diante de algo absolutamente normal.

Normal para quem?

Porque para o trabalhador que acorda às cinco da manhã, para o empresário sufocado por impostos, para o aposentado que conta moedas no fim do mês e para o cidadão que vê serviços públicos cada vez mais precários, nada disso parece remotamente normal.

Segundo informações reveladas pelas investigações da Operação Compliance Zero, uma minuta de contrato de R$ 50 milhões foi encontrada entre documentos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O valor chama atenção por coincidir praticamente com o saldo que faltaria para completar os cerca de R$ 129 milhões previstos no contrato original firmado com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.

A pergunta que salta aos olhos é inevitável: que serviço jurídico justifica cifras que se aproximam de R$ 180 milhões?

Não estamos falando de alguns milhões.

Estamos falando de uma fortuna.

Uma quantia que supera o faturamento anual de inúmeras empresas brasileiras.

Uma quantia que a esmagadora maioria dos advogados do país jamais verá sequer de longe durante toda a carreira.

Ainda mais intrigante é que, segundo as informações divulgadas, a minuta encontrada não detalharia de forma clara quais serviços seriam executados, não estabeleceria adequadamente as condições de pagamento e sequer identificaria de maneira objetiva a empresa responsável pela contratação.

Tudo isso em um negócio envolvendo dezenas de milhões de reais.

Se fosse um pequeno empresário apresentando um contrato com tantas lacunas, provavelmente seria imediatamente questionado por bancos, auditores, órgãos fiscais e autoridades.

Mas quando as cifras bilionárias do poder entram em cena, a exigência por transparência parece desaparecer.

O caso torna-se ainda mais sensível porque envolve o escritório da esposa de um dos ministros mais influentes do Supremo Tribunal Federal, corte que deveria representar o mais alto símbolo da imparcialidade e da confiança institucional do país.

Ninguém está acima do dever de prestar esclarecimentos.

Muito menos aqueles que ocupam posições de enorme poder.

A sociedade brasileira não deve satisfações ao poder.

É o poder que deve satisfações à sociedade.

Por isso, as perguntas permanecem:

Como se chegou a esses valores?

Quais serviços concretos justificariam cifras tão extraordinárias?

Quais critérios foram utilizados?

Por que uma nova minuta de R$ 50 milhões surgiria justamente quando o contrato original caminhava para sua interrupção?

Até que essas perguntas sejam respondidas de forma clara, objetiva e documentada, permanecerá a sensação de que existem regras diferentes para cidadãos comuns e para aqueles que circulam nos andares mais altos de Brasília.

E talvez seja exatamente essa sensação de privilégio, opacidade e falta de explicações convincentes que esteja destruindo, dia após dia, a confiança da população nas instituições brasileiras.

Quando contratos milionários se acumulam, as dúvidas crescem na mesma proporção.

E quando as dúvidas crescem mais rápido do que as respostas, a credibilidade inevitavelmente diminui.


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