R$ 215 bilhões em ano pré-eleitoral: Campanha eleitoral antecipada?

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Enquanto o brasileiro continua enfrentando juros elevados, inflação persistente e perda do poder de compra, o regime Lula promove uma expansão fiscal que já alcança a impressionante marca de R$ 215 bilhões em 2026. O valor, equivalente a 1,6% do PIB, supera com folga as receitas adicionais obtidas pelo próprio regime e levanta uma pergunta inevitável: estamos diante de uma política econômica responsável ou de uma gigantesca campanha eleitoral antecipada financiada com dinheiro público?

A cada semana surge uma nova linha de crédito subsidiado, um novo programa de incentivo, uma nova ampliação de benefícios ou uma nova modalidade de gasto que, curiosamente, parece atender segmentos específicos do eleitorado. Caminhoneiros, taxistas, motoristas de aplicativo, habitação popular, crédito direcionado e financiamentos especiais compõem um pacote bilionário que despeja recursos na economia em ritmo acelerado.

O problema é que a conta não fecha.

Segundo os cálculos apresentados pelo economista Marcos Mendes, boa parte dessa expansão ocorre por mecanismos que escapam das limitações formais do chamado arcabouço fiscal. Em outras palavras, o regime anuncia compromisso com responsabilidade fiscal enquanto cria caminhos alternativos para expandir gastos e aumentar o endividamento público.

O resultado é um cenário que muitos analistas enxergam como uma espécie de contabilidade criativa institucionalizada. Apenas uma pequena parcela dessa expansão aparece efetivamente nas regras que limitam os gastos públicos. O restante circula por fundos, operações financeiras, créditos subsidiados e mecanismos paralelos que produzem exatamente o mesmo efeito econômico: aumento da dívida pública.

A consequência dessa estratégia é conhecida. Quanto maior a dívida, maior a desconfiança dos investidores. Quanto maior a desconfiança, maiores os juros exigidos para financiar o Estado. E quem paga essa conta não é Brasília. É o cidadão comum, que enfrenta crédito mais caro, investimentos menores, inflação mais resistente e crescimento econômico cada vez mais frágil.

Os defensores do regime argumentam que as medidas estimulam a economia. Os críticos enxergam algo diferente: uma máquina estatal operando a pleno vapor para irrigar setores estratégicos em um momento politicamente conveniente, transferindo para os próximos anos o custo das decisões tomadas agora.

Não por acaso, cresce entre opositores a percepção de que o país vive uma campanha eleitoral permanente. Gasta-se como se não houvesse amanhã, distribuem-se benefícios, multiplicam-se subsídios e ampliam-se programas em ritmo acelerado, enquanto a conta é empurrada para as futuras gerações. O objetivo seria preservar um projeto de poder que já demonstra estar disposto a sacrificar a saúde fiscal do país para garantir sua sobrevivência política.

O mais preocupante é que a discussão deixou de ser sobre responsabilidade fiscal e passou a ser sobre como contornar as próprias regras criadas pelo regime. O arcabouço fiscal, apresentado como símbolo de equilíbrio e credibilidade, parece cada vez mais desmoralizado por exceções, brechas e flexibilizações sucessivas.

Para muitos críticos, a situação torna-se ainda mais grave diante da percepção de que existe uma excessiva complacência institucional com essas práticas. Enquanto medidas semelhantes seriam duramente questionadas em outros momentos da história recente, hoje parecem receber tratamento muito mais tolerante por parte de setores que deveriam atuar como freios e contrapesos do sistema.

No fim das contas, a matemática continua implacável. Não importa se o gasto aparece dentro ou fora do orçamento, se recebe o nome de crédito subsidiado, fundo especial ou operação financeira. A dívida cresce da mesma forma.

E quando um regime passa a gastar como se não houvesse amanhã, geralmente é porque está muito preocupado com a próxima eleição e muito pouco preocupado com a próxima geração de brasileiros que ficará responsável por pagar a conta.


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