A eleição terminou. A cadeira de deputado federal para Brusque não veio. Mas as urnas produziram um resultado político que vai muito além da relação oficial de eleitos.
João Martins saiu das Eleições de 2026 como uma das principais expressões políticas de Brusque e da região e colocou seu nome, definitivamente, no centro do tabuleiro político para os próximos anos.
Não se trata apenas de discurso. São os números que sustentam essa constatação.
João Martins (PSD) conquistou 49.392 votos em Santa Catarina. Somente em Brusque foram extraordinários 30.247 votos.
Para compreender a dimensão desse resultado é necessário voltar apenas dois anos.
Em 2024, João disputou sua primeira eleição. Candidato a prefeito, recebeu 19.691 votos, correspondentes a 27,95% dos votos válidos. Agora foram 30.247 votos dentro de Brusque. São 10.556 votos a mais, um crescimento nominal de aproximadamente 53,6% em apenas dois anos. E isso depois de uma derrota municipal.
Em vez de desaparecer politicamente, João cresceu. Em vez de perder espaço, ampliou sua base. Em vez de chegar enfraquecido a 2026, apresentou nas urnas uma força eleitoral muito superior àquela que possuía quando disputou a Prefeitura.
UMA VOTAÇÃO PARA ENTRAR NA HISTÓRIA
Os 49.392 votos conquistados por João representam a segunda maior votação da história entre candidatos a deputado federal de Brusque, ficando atrás somente de Serafim Venzon, que alcançou 75.586 votos em 2002.
Mas existe outro número talvez ainda mais impressionante.
Dos cinco candidatos a deputado federal ligados a Brusque, João simplesmente superou em muito supeeleitoralmente os demais.
Em Brusque, foram:
João Martins: 30.247 votos;
Jean Pirola: 4.935;
Danilo Visconti: 4.075;
Vagnão do Têxtil: 358;
Santiago Cesar: 228.
Todos os outros quatro candidatos locais, SOMADOS, fizeram 9.596 votos. João sozinho conquistou mais de três vezes esse total.
Isso significa que, entre os votos dados em Brusque aos cinco candidatos federais da própria cidade, aproximadamente 76% foram para João Martins.
No resultado estadual ocorre fenômeno semelhante.
Os cinco candidatos brusquenses a deputado federal somaram 66.390 votos em Santa Catarina. João teve 49.392.
Sozinho, concentrou aproximadamente 74,4% de toda a votação estadual obtida pelos cinco candidatos de Brusque.
É uma demonstração inequívoca de liderança eleitoral dentro desse grupo.
BRUSQUE, GUABIRUBA E BOTUVERÁ MANDARAM UM RECADO
Quando ampliamos a análise para a microrregião, a força de João fica ainda mais evidente.
Foram:
30.247 votos em Brusque;
6.148 em Guabiruba;
1.241 em Botuverá.
Somente nesses três municípios João conquistou 37.636 votos. Isso corresponde a aproximadamente 76,2% de todos os 49.392 votos que recebeu em Santa Catarina.
É difícil encontrar demonstração mais clara da construção de uma liderança territorial.
João não teve simplesmente uma boa votação em sua cidade. Ele construiu um verdadeiro reduto eleitoral regional. E fez isso em apenas sua segunda eleição.
DE 19 MIL PARA 30 MIL: ALGO ACONTECEU EM BRUSQUE
Esse talvez seja o fenômeno que seus adversários políticos precisarão estudar com maior atenção.
Em 2024, 19.691 brusquenses escolheram João Martins para prefeito. Dois anos depois, 30.247 escolheram João para deputado federal.
É evidente que eleições municipais e proporcionais são diferentes e não permitem transferência matemática automática de votos. Mas 10.556 votos adicionais não podem simplesmente ser ignorados. Politicamente, alguma coisa aconteceu nesses dois anos.
João permaneceu nas ruas. Continuou visitando bairros, entidades, empresas e municípios. Manteve contato com a população mesmo sem exercer mandato. E chegou às urnas de 2026 substancialmente maior eleitoralmente do que havia saído das urnas de 2024.
Esse talvez seja seu maior patrimônio. João não precisou de um cargo para continuar fazendo política.
SEM PREFEITURA, SEM MANDATO E CONTRA ESTRUTURAS CONSOLIDADAS
Existe ainda uma diferença fundamental entre João e diversos adversários.
Ele não era prefeito. Não era vice-prefeito. Não era deputado. Não possuía gabinete parlamentar. Não comandava estrutura pública municipal. E não carregava a exposição permanente proporcionada pelo exercício de um mandato.
Sua campanha contou, naturalmente, com recursos partidários, apoiadores e pessoas que abraçaram sua candidatura. Dizer que esteve literalmente sozinho seria ignorar quem caminhou ao seu lado.
Mas politicamente João enfrentou uma situação muito diferente daqueles que possuíam estruturas consolidadas. E mesmo assim chegou a 30.247 votos somente em Brusque.
O OUTRO LADO DA ELEIÇÃO
Enquanto João construía uma candidatura fortemente regional, o grupo político que governa Brusque estava inserido na estratégia eleitoral do PL. Isso é legítimo. Partidos trabalham para seus candidatos e lideranças estabelecem alianças.
Mas existe uma questão que Brusque precisa discutir.
Durante décadas, a cidade reclamou justamente da ausência de representação política proporcional à sua importância econômica. Em 2026, novamente, nenhum deputado federal de Brusque foi eleito.
João, entretanto, entregou algo que há muito tempo não se via: massa eleitoral suficiente para demonstrar que uma candidatura federal fortemente identificada com Brusque pode mobilizar dezenas de milhares de pessoas. E isso ocorreu enquanto candidatos de fora também disputavam intensamente o eleitor brusquense.
O PROBLEMA HISTÓRICO DOS VOTOS QUE SAEM DE BRUSQUE
Não é um fenômeno novo. Em 2022, candidatos de outras regiões receberam milhares de votos em Brusque.
Ana Paula Lima teve 5.982.
Carol de Toni, 4.227.
Júlia Zanatta, 3.831.
Daniela Reinehr, 2.754.
Gilson Marques, 2.443.
Ismael dos Santos, 2.140.
Jorge Goetten, 2.086.
Zé Trovão, 1.019.
Somente esses nomes somaram mais de 24 mil votos retirados do universo eleitoral disponível às candidaturas locais. Enquanto isso, Brusque continuou reclamando da falta de representação própria.
Esse é um debate que transcende João Martins. É sobre a própria força política da cidade.
JOÃO MOSTROU QUE É POSSÍVEL CONCENTRAR O VOTO
Em 2026 ocorreu algo diferente. João rompeu a barreira dos 30 mil votos. Isso é extremamente significativo porque demonstra que existe, sim, espaço para uma candidatura local capaz de concentrar parcela expressiva do eleitorado.
Os outros quatro candidatos federais de Brusque juntos tiveram apenas 9.596 votos dentro do município. Portanto, João não foi derrotado por uma pulverização equilibrada entre candidatos locais. Muito pelo contrário.
Entre os nomes de Brusque, houve uma preferência eleitoral absolutamente clara. João foi, disparadamente, o candidato federal da cidade.
A FORÇA E O DESAFIO
Os mesmos números que revelam a força de João também mostram aquilo que faltou.
Dos seus 49.392 votos estaduais, 30.247 vieram de Brusque. Somando Brusque, Guabiruba e Botuverá, chegamos a 37.636. Ou seja: aproximadamente três quartos de sua votação ficaram concentrados no núcleo regional.
O problema de João não foi Brusque. Muito menos Guabiruba ou Botuverá. O desafio foi estadualizar sua força. João demonstrou capacidade extraordinária de mobilização onde é conhecido.
O próximo passo político, portanto, parece evidente: ampliar para outras regiões de Santa Catarina aquilo que conseguiu construir no Vale do Itajaí-Mirim.
NEM A MÁQUINA FOI SUFICIENTE PARA APAGAR SEU CRESCIMENTO
A administração municipal pertence a um grupo político adversário.
André Vechi governa Brusque pelo PL e seu vice, Deco Batisti, disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Deco fez uma votação importante: 20.965 votos em Brusque e 26.712 no estado. João, entretanto, alcançou 30.247 votos na cidade.
São disputas diferentes e cargos diferentes, portanto os números não podem ser comparados como se fossem uma eleição direta entre ambos. Mas eles revelam algo politicamente relevante:
Mesmo fora da administração municipal, João conseguiu mobilizar mais de 30 mil eleitores de Brusque.
E fez isso sem exercer mandato.
A MAIOR VITÓRIA PODE TER SIDO POLÍTICA
João disse, ainda durante a apuração: “O grande vencedor dessa eleição sou eu.”
Literalmente, não. Ele não conquistou a cadeira de deputado federal.
Mas existe uma interpretação política para a frase que os números ajudam a compreender. oão terminou 2026 muito maior do que começou. Saiu de 19.691 votos em Brusque em 2024 para 30.247 em 2026. Tornou-se o segundo candidato a deputado federal de Brusque com maior votação estadual da história. Concentrou cerca de três quartos dos votos conquistados pelos cinco candidatos federais brusquenses.
Foi esmagadoramente o candidato local a federal preferido pelos eleitores da cidade. Dominou eleitoralmente também entre os candidatos brusquenses em Guabiruba e Botuverá. E fez tudo isso apenas dois anos depois de entrar pela primeira vez numa urna como candidato.
Não ganhou uma cadeira. Ganhou musculatura política.
JOÃO MARTINS SAI CREDENCIADO AO PROTAGONISMO REGIONAL
É aqui que 2026 encontra 2028.
Seria precipitado afirmar hoje quem vencerá uma eleição que ocorrerá daqui a dois anos. Nem sequer sabemos quais serão todas as candidaturas, alianças ou circunstâncias políticas daquele momento.
Mas existe algo que as urnas de 2026 permitem afirmar: João Martins chega ao próximo ciclo eleitoral credenciado a disputar o posto de principal liderança política de Brusque e da microrregião.
Pouquíssimos nomes locais podem apresentar uma credencial eleitoral semelhante: 30.247 votos dentro da própria cidade.E tudo isso sem mandato.
As eleições municipais de 2028 serão o primeiro grande teste dessa nova realidade política.
Se João conseguir preservar a proximidade com a população, transformar os 30 mil votos em organização política, ampliar alianças e continuar presente nas ruas, chegará à próxima eleição carregando um patrimônio eleitoral que simplesmente não existia quando disputou a Prefeitura em 2024.
Talvez essa seja a síntese mais adequada da trajetória.
Em 2024, João Martins apareceu para grande parte do eleitorado como novidade. Recebeu 19.691 votos. Continuou trabalhando. Dois anos depois, recebeu 30.247 votos em Brusque e 49.392 em Santa Catarina.
Não desapareceu. Não encolheu. Cresceu. E cresceu muito.
Por isso, a eleição de 2026 pode ter produzido algo politicamente mais duradouro do que um mandato de quatro anos: consolidou João Martins como um nome incontornável no debate sobre o futuro de Brusque.
Se será efetivamente a maior expressão política da cidade e da região, as próximas disputas darão a resposta definitiva.
Mas uma coisa já não depende de projeção. As urnas de 2026 lhe entregaram as credenciais para disputar esse protagonismo.
E 2028 está logo ali.