Segundo levantamento divulgado pelo portal Claudio Dantas, Lula recebeu 72,6% dos votos válidos nas seções instaladas em unidades prisionais e socioeducativas no primeiro turno de 2026. Foram 8.118 votos em 244 seções. Em Caraguatatuba, o percentual chegou a 89,6%; em Juazeiro, a 86,6%; e, na Cadeia Pública de Salvador, a 80%. É uma concentração expressiva de apoio que merece exame político.
A precisão, porém, é indispensável: presos provisórios não têm condenação definitiva, e essas seções também podem receber servidores e agentes penitenciários. Portanto, seria incorreto apresentar o resultado como uma votação exclusivamente de criminosos condenados ou como prova de uma aliança com a criminalidade. A própria regulamentação eleitoral impede o voto de quem possui condenação criminal transitada em julgado.
Isso não concede a Lula qualquer imunidade à crítica. Um presidente deve ser cobrado pela clareza com que enfrenta o crime, pela proteção oferecida às vítimas e pela capacidade de transformar promessas em segurança. Explicações sociais são necessárias para formular políticas públicas; tornam-se politicamente inaceitáveis quando usadas para diluir a responsabilidade de quem rouba, mata ou aterroriza comunidades.
O critério precisa ser explícito: compreender as causas da violência não autoriza relativizar suas consequências. A vítima não pode desaparecer do debate enquanto o agressor ocupa o centro das atenções. Quem perdeu um familiar, teve seu comércio assaltado ou vive sob ameaça de facções merece mais do que discursos cuidadosamente embalados.
Lula anunciou agora o lema “Para o povo trabalhador, proteção; para bandido, a prisão”. A frase é direta, mas um endurecimento de linguagem em plena disputa eleitoral exige cobrança redobrada: quais medidas, quais resultados e qual compromisso efetivo sustentam essa promessa?
O Brasil não precisa de um presidente que descubra a firmeza contra o crime conforme a conveniência da campanha. Precisa de liderança que sustente essa posição diariamente, respeite as garantias legais e enfrente organizações criminosas com investigação, inteligência e responsabilização.
A votação nessas unidades não prova cumplicidade. Tampouco encerra o debate. O julgamento político de Lula deve alcançar aquilo que realmente importa: sua disposição de proteger a população e entregar resultados. Segurança pública não pode ser apenas uma frase de palanque enquanto o cidadão continua pagando, com medo e sofrimento, a conta da violência.