"Fim de uma era". O desgaste de Lula e a falência do discurso petista

Por Fábio Roberto de Souza

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A avaliação da The Economist sobre o fim da era de domínio do PT, expõe uma ferida que o discurso do regime tenta esconder: o desgaste de um projeto que prometeu transformar o Brasil, mas continua pedindo ao brasileiro paciência, gratidão e mais uma oportunidade. Tudo isso na base de muita mentira e manipulação.

Durante décadas, Lula construiu sua força política apresentando-se como porta-voz dos pobres e intérprete exclusivo das necessidades populares. O problema dessa narrativa é sua arrogância: pressupõe que o cidadão deva fidelidade ao governante, mesmo quando a realidade desmente o palanque.

O trabalhador não deve gratidão eleitoral a ninguém. Política social é dever do Estado, financiado pela sociedade. Não é presente de presidente, favor partidário nem instrumento para cobrar obediência nas urnas.

O petismo, porém, especializou-se em transformar direitos em propaganda e críticas em ofensas. Quando falta resultado, sobram culpados. A oposição atrapalhou, o mercado conspirou, a imprensa perseguiu, a herança era maldita. Nesse roteiro, o regime aparece sempre como vítima; o brasileiro fica com a conta.

Não se pode apagar o histórico de corrupção como detalhe inconveniente dos mandatos petistas. Os escândalos que atingiram o partido contradizem frontalmente a superioridade moral que seus dirigentes insistiram em reivindicar.

A distância entre o sermão e a prática, corroeu a credibilidade do PT. Quem prometia inaugurar uma nova ética, acabou exigindo que a sociedade relativizasse aquilo que antes condenava com indignação.

Lula permanece como o centro de um projeto de poder que envelheceu sem aprender a viver além de sua própria figura. A dificuldade de renovação revela um partido que fala em futuro, mas continua politicamente dependente do passado. O país muda; o repertório permanece preso às mesmas promessas, aos mesmos antagonismos e ao mesmo personagem.

O custo mais amargo dessa trajetória é o desgaste da esperança. Para quem acreditou na promessa de transformação, sucessivas decepções representam mais do que frustração eleitoral: são anos de confiança investidos em uma mudança que ficou aquém do anunciado. A esperança popular não deveria servir de combustível para a perpetuação de um grupo no poder.

É nesse sentido que a análise da Economist merece atenção. O enfraquecimento do petismo pode expressar o cansaço de uma parcela do eleitorado com a pretensão de Lula de continuar personificando o destino nacional.

Rejeitar o PT, entretanto, não concede um cheque em branco à direita. Quem pretende substituí-lo, precisa entregar resultados e assumir responsabilidade por suas escolhas. Trocar o ocupante do palanque, preservando a fabricação de desculpas, seria apenas renovar a embalagem da decepção.

Para Lula, a cobrança é especialmente dura porque nasce da dimensão das promessas que fez. Quem reivindicou tanto crédito não pode tratar a prestação de contas como perseguição.

O Brasil não pertence a Lula. Os pobres não pertencem ao PT. E o voto de quem se cansou de acreditar não é ingratidão: é o direito de encerrar uma relação política que deixou de merecer confiança.

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Fábio Roberto de Souza é jornalista e articulista, atuando como colunista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas


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