“Eu não funciono sob ameaça” – Hugo Motta, presidente da Câmara (Republicanos-PB). Fiquem tranquilos, nossas instituições continuam pujantes. Nada de ameaças, apenas o bom e velho “toma-lá-dá-cá” para preservar a harmonia entre os poderes.
“Qualquer país que sedia um organismo internacional não pode impedir o acesso de nenhuma autoridade” – Alexandre Padilha, ministro da Saúde, insinuando que vai desafiar sanção americana após perda de visto. Confie no seu potencial, Ministro! O pior que pode acontecer é ser deportado para a base de Guantánamo com outros violadores de direitos humanos. Como a base fica em Cuba, o senhor pode aproveitar a viagem e recrutar novos “voluntários” direto com a ditadura amiga.
“Só gosto de homem pobre” – Vera Fischer, atriz. Vera, te dou casa, comida e nome no Serasa. Me liga.
“A identificação de usuários nas redes sociais por validação facial é uma medida para garantir que a liberdade de expressão venha acompanhada de responsabilidade” – Jorge Seif Junior, senador (SC-PL). Para ele é fácil, como o reconhecimento facial ainda não detecta a cara de pau, ele pode se cadastrar sem medo.
“Do lado do povo brasileiro” – novo slogan do governo federal. Alerta de utilidade pública: se um membro do governo realmente estiver “do seu lado”, seja no ônibus ou na fila do banco, esconda a carteira e o celular. A chance de ser um pickpocket é enorme.
“Eu fiz uma relação dos maiores traidores da humanidade. Eu não estou com ela aqui porque eu esqueci” – Lula, ao acusar Eduardo Bolsonaro de traição durante evento de pré-campanha. Deixa eu ver se eu adivinho quem está na lista do Lula: Antonio Palocci, Delcídio do Amaral, Léo Pinheiro, Marcelo Odebrecht...
“Isso é fotografia para você colocar representando o Brasil no exterior? Um cara sem dente e ainda negro. Você não acha que isso é preconceito?” – Lula. Foi só uma escorregada, um descuido... parem de ver chifre na cabeça do bode velho.
A Pacificação Nacional
“Pior que a perda material é o sentimento de insegurança. Com essa política de guerra ao crime, estamos perdendo a batalha” – Nabil Bonduki, vereador paulistano (PT-SP), após sofrer assalto. Mas, como assim? Os assaltantes quebraram o cessar-fogo de novo?
“Depois de uma operação de guerra como essa, vai um iluminado desse juiz aí e diz que a quantidade não é exacerbada?” – Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública de SP, após juiz soltar traficante preso com mais de 200kg de cocaína. Quando avisaram que sentiríamos o peso do Flávio Dino na jurisprudência, eu não imaginava que seria algo tão literal assim.
“Minha espada não tem partido” – General Tomás Paiva, comandante do Exército, invocando fala do Duque de Caxias para se dizer isento. A diferença, pequena, é que Caxias não usava a espada só pra abrir o envelope do contracheque ou cortar bolo de aniversário no quartel.
“Fuzilamento. É assim que se trata traidor da pátria” – Lindbergh Farias, líder do Governo na Câmara (PT-RJ), citando leis americanas ao pedir a cabeça de Eduardo Bolsonaro no plenário da Câmara. Que decepção! Eu achei que ele fosse fã era das leis chinesas... Pensando bem, na China corrupção dá pena de morte, então é melhor não inventar, né, “lindinho”?
“Saudade das disputas entre PT e PSDB” – disse Fernando Haddad para Geraldo Alckmin. Saudades de quando ainda podíamos escolher entre o “fascista ladrão de merenda” e o “corrupto voltando à cena do crime”. Agora somos obrigados a levar os dois.
“O Brasil tem que virar a página” – Ratinho Jr., governador do Paraná (PSD) e pré-candidato à presidência. Virar a página? É melhor queimar o livro inteiro, logo.
FLOP 30
“Grato por minhas trocas com ministros, senadores e deputados enquanto o Brasil se prepara para a COP 30 e continua a traçar um modelo progressista único para a democracia” – Alex Soros, herdeiro do bilionário socialista George Soros. Pelo visto, a COP 30 será o evento mais sustentável da história. Vão reciclar todo o lixo, inclusive as táticas das últimas eleições.
“Todas as regiões do mundo falaram em uma só voz à Presidência brasileira, e ainda assim nossas palavras parecem entrar por um ouvido e sair pelo outro” – Juan Carlos Monterrey Gómez, representante do Panamá na COP30, sobre a desastrosa organização realizada pelo governo Lula. Precisamos defender nossa soberania contra essa grave ingerência do imperialismo panamenho.
Jair Che Bolsovara
“É muito palavrão e pouca preocupação com o país” – Octávio Guedes, comentarista da GloboNews, sobre mensagens vazadas entre Jair e Eduardo Bolsonaro. Não podemos ser coniventes com quem achaca o país sem usar “por obséquio” ou “data vênia”.
“Uma coisa que me chama a atenção nesse capítulo é a total ausência de referência a serem inocentes” – Flávia Oliveira, colega de Octávio, sobre o mesmo caso. Agora quem for de direita precisa andar com um cartaz pendurado no pescoço, com os dizeres “SOU INOCENTE”. É a presunção de culpa democrática.
“Che Guevara tinha um carisma como o do Bolsonaro” – Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Quem tem Valdemar como marqueteiro não precisa de urna eletrônica.
“Que fique claro: nunca comparei Bolsonaro com Che Guevara, até porque o cubano era de esquerda e deixei isso claro” – Valdemar Costa Neto, retratando-se por comparar Bolsonaro a Che Guevara. Eu achei que só eu não tinha entendido a comparação. Pelo visto, nem ele entendeu.
“Bandidos sequestraram meus avós e minha mãe. Ordens de Moraes?” – Eduardo Bolsonaro, após família ser feita de refém no Rio. Essas ordens de busca e apreensão inconstitucionais já estão indo longe demais.
Educassão e Cultura
“Univesidade [sic] é lugar de ciência” – cartaz de Estudante da UNIVALI-SC, em protesto contra a visita do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). É seguro dizer que Nikolas ganhou o debate por W.O.
“Eu não vim aqui para isso. Eu só queria assistir a um filme” – Snoop Dogg, rapper americano, criticando a inclusão forçada de temáticas LGBT em filmes infantis. Bom, agora só falta a Xuxa criticar a “adultização” das crianças.
“Eu não sou uma pessoa beliscosa [sic]” – Romeu Zema, governador de MG (NOVO) e pré-candidato à presidência, negando ser “belicoso” durante entrevista ao programa Roda Viva. Pra quem diz que não é “beliscoso”, ele deu uma bela beliscada na última flor do Lácio.
Fora dos Autos
“Um Judiciário vassalo, covarde, que busca fazer acordos para que o país momentaneamente deixe de estar conturbado, não é um Judiciário independente” – Alexandre de Moraes, ministro do Supremo (STF-SP). É realmente admirável que Moraes encontre tempo para defender a independência do Judiciário entre um jantar com Lula, um evento com os amigos do DOria e acatar o próximo pedido do Randolfe.
“O Supremo não participa de um programa, muito conhecido, chamado ‘Topa Tudo por Dinheiro’” – Flávio Dino, ministro do Supremo (STF-MA). Dino, essa seria a brecha ideal para revelar que tudo não passa de uma pegadinha do Mallandro...
“Eu não tenho nada a ver com o processo do INSS. Eu não sou o relator de tudo no mundo. Gostaria de ser, mas não sou” – Alexandre de Moraes, confessando tendências autoritárias ao comentar sua omissão no caso da fraude bilionária no INSS. Coerente. Ele só relata os processos em que ele é parte. Quem sabe quando se aposentar ele finalmente se interesse pelo INSS?
“Quem investiga é a Polícia Federal, não sou eu. Quem denuncia é o procurador-geral da República. Quem recebeu a denúncia foi a Primeira Turma. Não fui eu quem iniciou o processo” – Alexandre de Moraes, sobre o Inquérito do suposto “golpe”. O inquérito, supõe-se, nasceu por obra e graça do Espírito Santo. Um desses milagres da democracia.
“Às vezes, algo demora mais ou menos por questões processuais, tem que preparar, estudar o processo, não há nenhuma predileção para um lado ou para o outro” – Alexandre de Moraes, sobre o tempo recorde na condução dos processos de Bolsonaro. É tudo uma questão de estudo, claro. Alguns processos são mais fáceis, pois já vêm com o gabarito na capa.
“O bom juiz deve ser reconhecido pelo respeito, e não pelo medo” – André Mendonça, ministro do STF, em recado a Alexandre de Moraes. Então o Mendonça está de parabéns, não bota medo em ninguém. Agora só falta impor algum respeito...
“Juiz que não resiste A pressão, que mude de profissão” – Alexandre de Moraes, respondendo a André Mendonça. Agora, para qual profissão deveria mudar o juiz que atua como investigador, promotor e vítima, tudo ao mesmo tempo?
“De vez em quando ela brinca, ela diz que está parecendo o ‘Pátio dos Milagres’” – Gilmar Mendes, citando O Corcunda de Notre-Dame ao descrever as pessoas de “diversas origens” que frequentam o seu gabinete. No livro, o “Pátio dos Milagres” era o local onde a escória de Paris se despia dos seus truques mais sujos. Os falsos cegos recuperavam a visão, os falsos aleijados voltavam a andar... assim que a polícia virava as costas. Não sei por que o ministro acha uma analogia apropriada para seu gabinete...
“Ouvindo as sustentações, eu senti um pouco de cheiro de queimado” – Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo (STF-RJ), ao interromper julgamento de cartórios no CNJ. Calma, Ministro. Deve ser só um colega na sala ao lado, incinerando as últimas provas da Lava Jato.
“Tivemos diversas reformas da Previdência. Daqui a pouco vamos precisar de outra” – Luís Roberto Barroso, em mais um de seus raros eventos diários com empresários. Em nota, o TSE teria esclarecido que, embora a campanha ainda não tenha começado oficialmente, a Corte louva a proatividade do ministro em já adiantar suas propostas de governo.
“Esse post é bom de ferrar com essa mulher” – Marco Antônio Vargas, juiz auxiliar do gabinete paralelo de Alexandre de Moraes, em mensagem vazada, conspirando contra a deputada exilada Carla Zambelli (PL-SP). Seguindo a mais recente jurisprudência da casa, o jagunço apenas mostrou o dedo do meio para o devido processo legal.
“Ninguém está acima de críticas, mas deixar de enaltecer o papel de Alexandre de Moraes em defesa do país é injusto” – Juca Kfouri, comentarista de futebol. Como bom corintiano, para Juca o juiz é sempre o craque do jogo.
Geopoliticagem
“Os EUA não fazem mais parte do Ocidente democrático” – Celso Rocha de Barros, sociólogo, em artigo na Folha de S.Paulo. O Ocidente democrático mudou tanto que agora fica no Oriente, entre Rússia, China e Irã. É só olhar o mapa do IBGE de cabeça para baixo que tudo faz sentido.
“Humilharam o nosso lá” – Celso Amorim, para-chanceler brasileiro, justificando o não acolhimento do indicação do novo embaixador de Israel. Mais uma absurda interferência estrangeira. Humilhar diplomatas brasileiros é uma prerrogativa exclusiva do Itamaraty.
“O ministro da Defesa de Israel voltou a proferir ofensas, inverdades e grosserias inaceitáveis contra o Presidente Lula” – notinha de repúdio do Itamaraty. Mas quais seriam as “inverdades inaceitáveis”? Pelo que consta, ele nunca chamou Lula de probo e incorruptível
“Vai machucar um pouco, mas Brasil consegue enfrentar tarifaço” – Fernando Haddad, ministro da Fazenda. Tradução: ficamos sem dinheiro para a anestesia, mas vamos continuar operando seu bolso.
“Brasil será o responsável por refundar a OMC após tarifaço de Trump” – Mauro Vieira, suposto ministro das Relações Exteriores. O Brasil refundando a OMC seria como o Vasco refundando a FIFA.